segunda-feira, 19 de maio de 2008

A ÍNTEGRA DA ENTREVISTA DA MIN ELIANA CALMON À FOLHA DE SÃO PAULO EM 1999, QUANDO DE SUA ESCOLHA POR FHC PARA O STJ


SEU JOCA TRAZ NA ÍNTEGRA A POLÊMICA ENTREVISTA DA HOJE MIN ELIANA CALMON, DO STJ, À FOLHA DE SÃO PAULO, QUANDO DE SUA INDICAÇÃO E FUTURA POSSE NAQUELA CORTE PELO ENTÃO PRESIDENTE DA REPÚBLICA FERNANDO HENRIQUE CARDOSO, CUJO O MIN DO MEIO AMBIENTE ERA O MESMO JOSÉ SARNEY FILHO QUE ONTEM, SEGUNDO REVELAÇÃO BOMBÁSTICA DO EX GOVERNADOR JOSÉ REINALDO TAVARES, FOI MENSAGEIRO DE UM RECADO DO PAI AO EX GOVERNADOR DO MARANHÃO. NA ENTREVISTA ELIANA CALMON DEIXA CLARO E EXPLÍCITO QUEM A INDICOU PARA O CARGO QUE HOJE ELA OCUPA: EDSON LOBÃO, JÁDER BARBALHO E O FALECIDO EX SENADOR ANTÔNIO CARLOS MAGALHÃES, TODOS UMBILICALMENTE LIGADOS A JOSÉ SARNEY. DEPOIS DE LER A ENTREVISTA O AMIGO LEITOR VAI PODER FAZER SOZINHO SUAS PRÓPRIAS CONCLUSÕES. PARA FINALIZAR, PERGUNTO AOS JURISTAS DE PLANTÃO, SE COM ESTE CURRICULUM DE INDICAÇÕES E COM SUAS EVIDENTES LIGAÇÕES COM O SEN SARNEY, NÃO SERIA O CASO DA MIN ELIANA SE DECLARAR NO MINIMO SUSPEITA PARA DIRIGIR UM CASO ONDE GRANDE PARTE DOS ACUSADOS SÃO ADVERSÁRIOS NOTÓRIOS DE JOSÉ SARNEY? COM A PALAVRA OS JURISTAS LEITORES DESTE BLOG.



A SEGUIR A INTEGRA DA ENTREVISTA E NO FINAL O LINK DE ACESSO:



JUSTIÇA



Eliana Calmon diz que há um jeito feminino de julgar e que não seria escolhida sem auxílio de ACM, Jader e Lobão



Juíza chega ao STJ com ajuda de senadores



CLÁUDIA TREVISAN enviada especial a Brasília



Primeira mulher a chegar à cúpula do Judiciário, Eliana Calmon, 54, contou com a ajuda decisiva de três homens para conseguir sua indicação: os senadores Edison Lobão (PFL-MA), Jader Barbalho (PMDB-PA) e Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA)."Sem o apoio deles, eu não seria escolhida", afirma Calmon, que no dia 30 toma posse como ministra do STJ (Superior Tribunal de Justiça). "A nomeação é um processo eminentemente político."Separada há 10 anos de um oficial da Marinha com quem esteve casada por 20 anos, acredita que marido e carreira bem-sucedida não se conjugam para as mulheres de sua geração.Autora de um livro de receitas rápidas para pessoas ocupadas, vai todos os dias à academia e faz 50 minutos de esteira, 20 minutos de bicicleta e 300 abdominais, além de sessões de musculação.Baiana e mãe de um rapaz de 20 anos, foi professora universitária e procuradora da República antes de se tornar juíza, em 1979. Dez anos depois de iniciar a carreira, foi nomeada para o Tribunal Regional Federal em Brasília. Ela será a única representante do sexo feminino entre 33 ministros do STJ.



Folha - Existe uma forma feminina de julgar?



Eliana Calmon - Eu acho que sim. Como a mulher sempre é a parte menos favorecida socialmente, ela desenvolve, até por uma questão de defesa, um "feeling", uma sensibilidade e uma capacidade de "ver além de". Isso é importante no julgamento, na inquirição de testemunhas e na análise dos autos.Se você tem esse "feeling", o grau de acerto é muito maior do que o de uma pessoa que vai julgar exclusivamente de acordo com a lei.



Folha - Na base do Judiciário, onde o ingresso é feito por concurso público, a proporção de mulheres é muito maior do que na cúpula, onde a entrada depende de indicações políticas. A que se deve essa discriminação?



Calmon - Se formos fazer uma análise detalhada, vamos verificar que as juízas que estão na base do Judiciário são jovens, com menos de 20 anos na profissão.



Folha - A sra. acredita que ainda não houve tempo para que as mulheres chegassem à cúpula?



Calmon - Exatamente. É muito recente. Você vai encontrar poucas mulheres na magistratura nas décadas de 60 e 70.



Folha - A sra. já declarou que é bom não estar casada porque marido atrapalha. Não dá para ser casada e juíza ao mesmo tempo?



Calmon - Na minha geração, não. Na sua dá. É muito difícil um homem da minha geração dividir cama, mesa e sala com uma mulher que tem o seu brilho próprio e uma projeção. Porque ele começa a se sentir inferiorizado.O que eu tenho observado é que a minha história se repete muito em mulheres da minha geração. Enquanto eu fui uma profissional que não tinha muita repercussão na vida social e me esforçava para manter o meu dever de casa bem feito, o meu casamento foi estável.Acontece que o meu marido tinha bem mais idade do que eu e houve um declínio na carreira dele. Os militares vão para a reserva muito cedo. Ele foi para a reserva e tornou-se um empregado de uma empresa pública. E aí os convites começaram a chegar para mim, o telefone tocava para mim, o carro oficial era meu e ele passou a ser um apêndice. Aí os problemas começaram, porque ele não aguentou dividir isso.



Folha - A sra. não sente dificuldade em trabalhar em um ambiente majoritariamente masculino?



Calmon - Não, nenhuma. Eu sempre lidei com homens, desde a Procuradoria da República. Quando eu fui procuradora (74-78), não havia no Norte e Nordeste nenhuma mulher procuradora. Quando me tornei juíza (79), eu fui sempre a primeira no Norte e no Nordeste.



Folha - Qual a relação com Antonio Carlos Magalhães? Ele foi o padrinho de sua indicação?



Calmon - Foi sim. Antonio Carlos Magalhães é o maior líder do meu Estado, mas até aqui me mantive longe de qualquer atividade política e de qualquer envolvimento político. Minha família é absolutamente apolítica. Eles são empresários e não são ligados a Antonio Carlos Magalhães. Quando eu me candidatei a primeira vez a uma vaga no STJ, no ano passado...



Folha - Como é esse processo de escolha?



Calmon - A pessoa manifesta extra-oficialmente a intenção de ser candidata indo aos gabinetes dos ministros do STJ e mostrando o currículo.



Folha - É o STJ que manda a lista para o presidente da República?



Calmon - Sim, os ministros se reúnem e votam três nomes. No ano passado eu me candidatei, mas não tinha o mínimo envolvimento político, eu não conhecia ninguém. E havia um candidato baiano com o qual toda a bancada baiana fechou. Eu fui completamente desguarnecida. Até que aprendi. Mas quando eu comecei a me mexer, a pessoa escolhida já havia sido nomeada.Na segunda vez, eu comecei a me mexer antes. Há muitos anos, o senador Edison Lobão (PFL-MA) veio ao TRF ver um processo de interesse dele. E ficou impressionado porque eu o recebi muito bem. Então eu o procurei. O senador me levou ao Jader Barbalho e às lideranças, como o senador Hugo Napoleão (PFL-PI), o Sérgio Machado (PSDB-MG). Mas quem mais me levou a sério foi o senador Jader. Em 92, eu havia dado um voto administrativo sobre a criação de um tribunal em Minas Gerais. Eu fui absolutamente contra. Eu disse que, se o TRF fosse dividir sua competência, teria também de ser criado um tribunal no Norte, com sede em Belém (PA). Isso vazou e o Jader soube. No momento em que eu cheguei, ele disse: "Eu conheço a senhora e vou lutar pela senhora". Quando eu vi que os outros candidatos estavam com muito apoio e o Jader, com uma briga danada com o presidente Fernando Henrique Cardoso por causa da CPI dos Bancos, eu fui procurar o Antonio Carlos Magalhães.



Folha - A sra. já o conhecia?



Calmon - Nunca o tinha visto pessoalmente. Eu o vi pela primeira vez agora. Amigos meus telefonaram para ele e marquei uma audiência. Quando me recebeu, ele disse: "Doutora Eliana, a senhora é uma mulher de muitos amigos e seus amigos já me deram muitas informações sobre a senhora. Sei que a senhora é muito trabalhadora e muito independente".E os três senadores começaram a me ajudar. Sem o apoio deles, eu não seria escolhida. É uma processo eminentemente político.



Folha - Quanto vai demorar para haver uma ministra no STF?



Calmon - O presidente está doido para fazer uma ministra. Mas é uma dificuldade encontrar uma mulher com perfil para ser ministra do Supremo, que tenha tempo de carreira, notável saber jurídico, com nome conhecido nacionalmente, reputação ilibada e disposta a uma atividade que é quase um sacerdócio.


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